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O primo vem da cidade grande contar os causos.

Ele vem lá da terra onde um monte de gente mora, onde tudo é concorrido.

Lá tem arranha-céu, gira-gira pelo ar dos polícia.

Tem arte de grafite colorida nos viadutos, debaixo da ponte onde almas invisíveis são tratadas como tolete.

Esse tal de street art chegou atrasado, será? Parece que o pessoal burguês adora tapear o tédio em atividade lúdica 2 banhos antes da janta, tentando ser bonitinha e namoradeira, mas que é menos inspirada que a dança dos dedinhos da Eliana, a nora do Balzac inofensiva, sou mais mandiopã.

O primo diz que lá tem peça de teatro.

Aqui no interior tem teatro também mas não tem peças chique com ator famoso.

De vez em quando tem aqueles comediante que aparece na Bandeirantes.

Eu não sei não, mas o que a cidade grande tem de poluição e lixo no ar aqui tem de mania de se diminuir.

Se alguém chega falando que é de São Paulo a pessoa fica de quatro e começa a latir. Tadinho dos cachorrinhos.

Tim Maia odiava arte preguiçosa.

Paulistano não suporta quando a Dutra tá impossível, meo.

Voltaire renova com o Palmeiras.

Atinjas as pessoas, Xerxes.

Se por pra fazer ruim, faça só o cocô diário: basta.

Medíocre é estranhar violência em lugares chiques.

Queria ver uns arranha-céu em Rio Claro, mas melhor não né, que o Horto foi vendido pro Beto Carreiro Show. Vamos ter boi sendo esquartejado e servido nas escolas públicas, lanche de sexta-feira.


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