domingo, maio 17, 2015

três da tarde na velha rivers



Entro na Padaria Veneza.

O pedido?

Dez pães.

Dez pãezinhos, pra deixar mais tranquilão o dia, a cidade nas mãos.

"Você espera que daqui a pouco já estão saindo? Você pode esperar uns minutinhos? ... uns 5 minutinhos?"

"Opa."

"Quer tomar um cafezinho?"

"Não, brigado".


Passadas duas semanas, cadê o pedido?

Nada.

Duas semanas!

Eu ali parado, calça jeans procura trocadilhos, eu estou pausado das pernas na mesma Padaria Veneza, cadê os dez rangos - mas pois parece que não haverá festa...desisto de esperar mais sete horas. 

Porque os pães não apareceram, não caíram, não vieram, não voaram no pacote que é papel de pão, puxa vida mas que falta de sorte.


Então paguei no caixa - rápidas notas de dois reais e voltei, voltei pra casa.

O céu azul, as nuvens macias.

Meu humor transbordando cachaça sem árco, tudo nos trinquis, tudo tanque traque traque sossego.

No noticiário estampado na placa do ônibus na Avenida 11, tudo indica que no meio de briga de foice pró-rocha, tiroteio no leste europeu, dor de dente, Kerouac ouve aquela velha melodia bird birdesca inspirada, mochila podreira nas costas, um golão de existência no meio da rua, atravesso, olha lá o café é o que é, três da tarde.

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