domingo, junho 14, 2015

A HORA DO FARO


ela chorou de soluçar! vixi! no bairro todo era ali,  a tevê explodindo no volume mil - mas porra ela tava vendo o que? 

ah, ela estava vendo A HORA DO FARO.

ela era o sensacionalismo, ela era o dia de princesa. ela era audiência, ela era o sonho de consumo numa pirueta posando de realidade. era ela um cotonete entupido em vasta alienação, ela era o manjada desperdício e um lencinho invisível, porque chorou muito, muito mesmo e o sofá Soneca também. 

ela era Eliana, a telespectadora racista enrustida, ela não tinha interrogações, só tinha olhos para o Faro, a fera, o fófis.

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