domingo, junho 07, 2015


As nuvens não eram nuvens. Eram bolinhas de bombril, algodão, que quando retornei o zóio ao céu ela mesmo sumiu. Até que começou a cair uma energia de broderage pelas veias. Sabe como é, né? Reunidos os velhos amigos a gente é grande pra chucu. Aopa. Mas grande ou menor, Deleuze ou Didi Mocó, tem graça não. Nem tirar sarro de intelectual nem dar surra no fã da Fátima. Que Fátima? A do Capital Inicial. Não, a Bernardes. Cenas da família brasileira. Nem vem: eu queria olhar pro céu, que aquelas nuvens sumindo no sapatinho trariam tranquilidade pelas calçadas da Vila Viagem. E foda-se a morte, tenho medo não, só um pouquinho...

O vento sacudia meu verbo, meio sambarilóvi eu cutucava sozinho mesmo as árvores, alegro-bobóide eu brincando de frase, quando o Bruno Lóque acendeu um cigarro fedido pra cacete, inclusive ali no bairro não haviam postes seminus que tremiam de frio, apenas pedrinhas de calçada. Sim. E olhando,  olhando pra gente com aquelas carinhas de pônei recém abandonado no Beto Carreiro Show, solitárias sabe, pedrinhas pedindo manguaça. Os restos de pinga que os pudim de cana desciam em suas perambulações do árco pelo bairro é que as serviam, sustentavam as coitadinhas. E que quando beldas caçoavam calçadas que xique-xique, troçavam do meio-fio, sujeito sóbrio e sérinho. 

Não olhei pra relógio: relógio e pulso não rola: mas eu notei: não eu não havia pensando em suicídio desde 1789. Nunca parei pra pensar em desistir de curtir. E olha só, que beleza: chegamos na praça. Aí sim. Let’s brenfs. Vamos pra praça fumar uma marola, na maciota...


Não detectamos pingos de groselha, nem de chuva. O sol banhava agora a rapaziada: radiante o tempo, radiante a vida, sonhão da pesada com aqueles vigaristas rápidos pra puxar a prosa - a gargalha e o golaço da euforia. E os mestres do lero sabiam e sabiam era silenciar na medida, dosando ironia mais água de sarjeta na alma. E peripatéticos patetas éramos felizes: topávamos com árvores conhecidas na pracinhas, que carregavam folhas que escorriam sem ninguém ouvir seu xixi sem crise. Só os burros não perceberam quando um trouxa tentou nos assaltar: ligeiro Lóque lançou a voadora, Bruce Lee orgulhoso dele, o nóia fugiu e deixou o canhão cair e desfez o banza, mó mancada, pobre libélula mamãe.

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