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CAPÍTULO PORCARIA, COMPROMISSO DEVO


Era noite. Tininha estava deitada na cama fumando um baseado, ouvindo a melodia do dorflex, ela curte roletar pelas farmácias. A Tininha é papo sério, e sobrou na reta um tylenol ela manda pra baixo.

Começou a chover. Com o raio Tininha acordou. 

Suas conversas introspectivas eram chiques. Suas palestras internas eram do tamanho do Road to Ruin. Colocava o play e embora estivesse bem viva a palestra na mente, conseguia realizar seis, sete tarefas simultâneas.

Mas agora prefiro mudar de assunto.

Sabe pessoal, a minha editora é muito severa. Censura muitos trechos, mas mesmo assim confio nela. "Pode cortar essa parte" ou "essa parte está censurada, inclusive", essas falas aí é igual amigo corinthiano, você tem que se acostumar com eles e ponto final.


Quais são suas bandas preferidas, Tininha?


Ih, ela não responde.


Tininha voltou a dormir. Voltou com tudo pro outro mundo. Sonhou uma série incapaz de ser transportada para o Netflix.

O sonho era em Hamburgo, e a Alemanha vivia a época dos óculos. 

Toda a população de óculos escuros, independente do horário. 

Óculos pra transar, óculos pra depositar o lixo na rua de casa depois das seis. Óculos pra discutir estratégias futebolísticas. Óculos na cara do vovô bebendo suco de laranja munido de cereais. 

Todos usavam óclinhos, inclusive os cachorrinhos.

Depois surgiu na cena o Big Silas. Sujeito alto, duns dois metros e fumaça. De macacão jeans e brusa branca básica. Parecia uma versão mais contida do Shaquille O'Neal.  Quando ele apareceu sem óculos, o pessoal curtiu. Todo mundo mandou os óculos longe. Comoção na city. Comercial de automóvel com ele, sucesso. Popularidade. Quando Big Silas enfim preparou o pronunciamento de prefeito eleito, disse que o compromisso DEVO o aguardava. E vazou, levado numa maca por seis pessoas. Fim.

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