sexta-feira, outubro 13, 2017

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM


As pessoas estão sem coragem. 

As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida. 


Já é uma bela bosta o catálogo de estados anímicos, tão genéricos, na roleta duma láife cheia de espetáculo de quinta categoria, consumos infantilóides de recheio vaziozão.

Então, só o lado xou. Só o lado mentiroso?

Tanto faz. É fácil bancar o niilista, masturbar a linguagem cifrar a linguagem com uma lógica ou processos bocejantes. Tanto faz.

Solteiro e verdadeiro, caminho pelas ruas noturnas da velha Hell Claro. A vida noturna da cidade, aliás, é fortemente reduzida no quesito "movimento". Existem bolhas onde antigamente existia Kenoma, eta nostalgia necessário essa, era buxixo firmeza no centrão rodeado de bares esfuziantes, com uma galera massa fazendo seus devaneios estralar pela madruga da cidade em chamas. Hoje, uma cidade com vida noturna sim, mas uma cidade morta , cidade fantasma - onde existia bagunça agora existe estacionamento, oligarquias da caretice patrocinam a cidade morna. 

Então você pensa nos amigos. Existe ainda o rolê, porra. Vários rolês. Hell Claro tem tédio mas tem poesia. O calor da convivência ainda existe. Existe enquanto resistência. Como atitude. 

quinta-feira, outubro 12, 2017

APROVEITAÇÃO MIL GRAU?


Não me importo de esperar.  Mas esperar o quê? Nada.  É tudo linguagem. Somos linguagem, somos erupção, assonâncias estrábicas confundindo a madrugada, somos não-reféns da vida, quero diversão sem limites e camaradagem tumém! Não me importo de esperar. Na verdade, não espero nada de ninguém. Niilismo? Textão? Claro que não. Carpe diem with sambarilóvi times. O céu está aí ó aí, de bermudão, todo estralante. Liberdade requer esforço? Tanto faz. Avante! Vamos viver violentamente o lirismo dos dias. Contra a impaciência, a vingança da prontidão. Respiração e enfrentamento frontal, sem refresco. É o famoso foda-se ligado, hardcore é o pogo, o frescor  2017,  não me importo com porra nenhuma, só quero viver e enfrentar todos os dias como o último, porra.

sábado, outubro 07, 2017

O negócio é manter a tranquilidade.

É, é isso mesmo, chefia.

Mantenha o ritmo da vida no sentido-sossego.

A pessoa fez bico? Foda-se, pobrema é dela.

Ficam aqui os ensinamentos ocultos de Paul Gasolina realmente em velado segredo.

É a famosa determinação de não deixar-se perturbar por pequenos gestos imbecis.

Desnecessário pensar que vai mudar o fulano, assoprou o poeta clichê e esqueceu de palitar os dentes do simplismo primitivão way of life mermo: que se foda, o negócio é manter a tranquilidade.

quinta-feira, setembro 07, 2017

ROCK NA ROÇA

O que me empolga numa cidade ananias são as pessoas.

A trutagem é o céu da roça, que resiste ao peso dos dias.

Caminhar, caminhar no ramones-sossego.

Tirar aquele rasante e ficar chegado das praças, saber qual é que é dos butecão from hell, e sempre trombar guias turísticos aqui e ali, sempre informais em sua simplicidade, beldos no entusiasmado de sua rotina.

Afinal, a roça só estrala quando fica toda chapadaça com a gana, o tesão de seus moradores.

Nem requer grandes estreias no Teatro Calcinho Costeleta de Lins, exposições experimentalóides de Chico Jeca, mas o rolê insano e supimpa a mil por hora rolando na poética dos bairros, na luz dos olhos da humildade do calor da convivência, cambaleante driblando qualquer ressaca.

O que me seduz é a farra no mercado, a piada-tirada-sacada rápida de portão, a barra forte toda lentonia, a senhorinha de sombrinha que desenrola o sol, abraça a alegria com as comadres, a energia pulsante nas calçadas velhas de guerra, asfalto guerreiro em seu discreto lirismo, pura maciota sambarilóvi do dia a dia emanando alegria.


Roça viva é bença, roça morta é lorota.



quarta-feira, setembro 06, 2017

Você pode pisar na merda fresca, que tá tudo certo - você vai chegar em casa vivo, e vai pra década de 70, ouvir Stones, discão Exile on Main Street pegando fogo nas paredes.

Você pode torcer o tornozelo pela décima vez, que ainda assim dirá foda-se, e poderá sob o thc-olê-olê-olá curtir Cramps, cantando junto.

Você pode ser assaltado por uma arma de brinquedo (contendo groselha) e experimentar o Taquicardia’s Park, que continuará respirando Ramones momentos depois – e, já refeito do choque do refresco, ouvindo Road to Ruin, vai rir de tudo bebendo água gelada invisível.

Você pode ter um amigo que odeia o carnaval, que continuará tranquilo quanto à essa afirmação, deixando ele reclamar à vonts, até o fera suar trégua.

Você pode vir com uma puta piada sem graça que continuará sorrindo feito besta, sonhando ter sido truta do Seu Madruga.

Você pode recorrer à possível desculpa da recorrente bipolaridade presente em seu cotidiano, que continuará tagarelão punk rocker enquanto a euforia dispara seu amplificador valvuladão também conhecido como voz.

Você pode reclamar que não é fã de azeitona, que
continuará irrelevante e sem propósito pincelando este comentário aparentemente inútil, portanto, foda-se a azeitona, campeão.

Você pode apagar uma frase secreta escrita a lápis num daqueles seus caderninhos preto, que continuará redigindo e apagando outros tantos garranchos rabiscados – rasgando no verbo a silenciosa madruga de Hell Claro.

Você pode achar que a pracinha do DAAE no período noturno é uma grande praia da amizade, que continuará correto em seu pensamento, pode apostar.


Você pode perder todo o ânimo, falir a reserva de otimismo momentaneamente, e com todo o empenho, assumir uma suposta velhice, mas isso é balela, não tem como recusar a bagunça fí, o rock paulera dançante, o barulho, o som, a vida.


quarta-feira, agosto 30, 2017

ANSIOSO

Quando moleque, com a sola do chinelo eu chutava o céu, eu tava curtindo as férias da quarta-série, zero preocupação na cuca.

No fundo de casa tinha um balanço. Tinha tranquilidade naquele oxigênio, naquelas cercanias do sossego. Entã era o balanço. Madeira, o assento. As mãos segurando firme a corrente, pernas pro ar turbinando sonhos de pirralho ansioso. Ansioso. Desde sempre, ansioso.

quinta-feira, agosto 24, 2017

Uma formiguinha de calça jeans, descamisada.  De voz molenga, solicita uma Kaiser quente, juntinho ao balcão da bravata.

Uma andorinha de raybanzão verde entra em cena.

Vai fumando aquele baseadão 40% já estralado, hell yeah - é fumaça é céu em cócegas - suspensa pelas arturas ela, a alegria, em estado folia-rasante, são três da tarde, você está no Aero Crube de Hell Claro.


E vem o Tortugas, quarta-feira - o exército from Jamaica reunido, anos e anos de brodagem, todo mundo de cabeça feita, pra chinesinhos red eyes caírem no esquemão piada gargalhada, tão sossegada a levada, e ela, gargalhóvisky gargalhante - a gargalhada que ecoa lesada, que ecoa rocambolesca pela belda madruga de Hell Claro.


Saudade estralante no peito, aqui. Forte.

Ontem, eram palhetadas pra baixo, fúria, que me deixam vivo visceral i'm the BASS, o sangue empolgado da caveira aos pés, o pé gelado vez ou outra, a perna suando frio debaixo da coberta, as boas melodias do Face to Face que o pessoal fala “melódico demais”. 

Enfim, punk rock é viver e tomar sete litros de café num gole só!

sexta-feira, agosto 11, 2017

Eu espero acordes que não desistam de cocainar meu dia, mesmo quando já nasceu morto.



Espero notas que não apliquem a tortura do tédio. Espero antes aquelas com promessas de vibrarem na positividade total, espirradas pelo recinto numa levada sambarilóvi.

Espero notas reais, que esbocem verdadeiros sorrisos alma adentro, alma afora, porque não existem semáforos, fronteiras, linhas divisórias, só o desejo, invencível.

Espero alguma nota corajosa, que se levante diante do óbvio, que me faça ser mais animadão, otimista num mundo de lama e lorota.


Espero acordes que não tenham medo da repetição, que empolguem meu cabelo, minhas orelhas, espero aqueles acordes que te levam aos lampejos pra bradar de peito aberto, “porra, vamos fazer isso agora?”.


Espero aquele refrão incendiário, talvez escondido dentro daqueles livros que pretendo escrever antes do paletó de madeira triunfar.



quarta-feira, agosto 09, 2017



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É a manutenção.

Tem que seguir, avante - sem medinho, porra. 

Arapuca nasceu? Vão nascer sempre piores.

Saber olhar em perspectiva mais sambarilóvi?

Não. Tem que enfrentar, sofrer - o ringue do risco e da loucura nos espera.


quarta-feira, agosto 02, 2017

voadores



Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.

Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre neurônios, pouco antes da despedida.


O calor é forte agora, rebato o frio sem explicação, não existe apartamento da frase pronta nesse bairro simpático, esculpido cegamente em lama e escondido lirismo, que logo você vai atender a campainha e não há ninguém. Mas o vento uivando nas cortinas que nunca vão aparecer, a mente como metralhadora agora focando o fogo, olhando o confuso horizonte pelas ruas de Riverside. Como um pogo, como uma roda punk devastadora em Americana, o ano era 2000 e barra forte, poça monstra de sangue no chão de um concerto espetacular dos ingleses voadores do GBH.

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terça-feira, agosto 01, 2017



Cidade calma. Calçada morna, pés avante - pisando na maciota,slow down, cimento, calma aí na hora de atravessar a rua, Celsinho. Olhar pros dois lados, mas o olhar sempre é o da esquerda, não tem jeito. Pode pá. Agora sim. Não vá ser atropelado novamente.

Quando você precisa de café, pra combustão. Pro enfrentamento. A Cássia fala para a sala sobre o novo misturador de concreto. É, acabou de chegar. Novidade no mercado. Alguns puxam conversinha paralela, são três alunos que tão pouco se fodendo. A teacher sente desleixo escorrer do teto. Então, a Cássia olha torto. Um deles já se ajeita, liga o desconfiômetro e fecha o bico. Mas a duplinha continua tagarela. A Cássia vai zoiando torto, ergue o braço. Estica, indicando rua com o indicador, dedo presença.

Cabisbaixos, os alunos pagam de loucos. Ela grita. A dupla vaza. A aula continua. No recreio vão todos pra lanchonete Balzac.



quinta-feira, julho 27, 2017


Fabrício Lúcifer tem nojo da vida. Seu pai não venceu o diabetes. 

Quando a alma sucumbe, Fabrício quer o ódio.

Fabrício Lúcifer tem nojo das pessoas.

Fabrício Lúcifer execra o sol, as nuvens. Se visse alguém sorrir agora, esboçar alegriazinha, cuspindo fora esta visão estaria.


Tudo é superficial.


Efêmero.


O calendário é um lixo numerado com nomes imbecis, um lixão pendurado aí na porra da sua parede.


Você quer ficar perto de pessoas inteligentes?


Ó, vem cá, vamos iniciar um debate? Chame aquele porra daquele Otário de Carvalho que eu acerto um tiro no meio daquela testa de velho brocha dele.


Não adianta negar o terror.


Tudo está ameaçado. Mais uns graus e o planeta vira paçoca.


Enquanto você lê isso, acidentes espalham sangue na pista da indiferença, envolta ou não em calafrios.


O triunfo da fraqueza viceja, radiante nessa grande interrogação banhada de retardada inquietude, deserções e os mesmos improváveis atrativos de uma vidinha feliz.



Cuidado, a frivolidade vem com juros e frases feitas


Acordo sem saber em que porra de planeta estou. Abro os zóio sem abrir, meio escuro, meio dia: constato meio lesado – é, o dia nasceu meio merda.
Merda à vontade, self-service pra todos, fila indiana, otário.


Enquanto o céu GOSPE laife, suas invisíveis bravatas de araque, alguém está esquartejando dúzias de inocentes bem longe do seu narizito.



Enquanto o céu GOSPE laife, uma velhinha bem ceguinha está numa iluminada sessão de refrescos, ela está levando uma Pepsi pra casa, com ajuda de Ivan, crachá torto na gola pólo, dezoito anos firmados em abril, seu primeiro emprego é aqui no Super Mercado Show De Bola.



Preciso de café.

Preciso de palheta sangrando o dedo, distorção.
Distorção esquenta as veias.
Distorção explodindo palhetadas toscas nas cordas mi lá ré e sol GOSPE laife. 


Destruição é apenas um palito de fórfi, destruição que deu uma ombrada no pessimismo, que não serve pra nada. 



Pessimismo, mais uma invenção estúpida, que recostado come aquele pastel de ricota com belos fungos na Avenida 1, Cynar pra acompanhar, copo americano com pus lavado em detergente vencido, mas o copo ali espera sem culpa, estacionadão no balcão.



Ando surdo de cego por uma rua na minha casa, cadáver, corredor lento passos, braço esquartejado pinduradão no lugar do boi,  o formol dizem que é cortesia do boticário, os passos são com os pés congelados, a próxima melodia que você escuta não é da irritação,  é apenas a indiferença arrancando blocos de lava por todos os poros paredes e perigos de merda.
Não, amigo. Deixa comigo.

Não, não paro de escrever.

E obrigado pela frase.

Eu não vou parar de escrever. 

Vou me autodestruir, craro. Das primaveras papai noel, a bicicleta sem freio em ritmo de devastação verbal das mais simpáticas, café forte munindo o sangue na tua boca, a alma dispara rápido o canhão de chutes na costela, cabeça, dos dias que poderiam ter sido, bem Bandeira mesmo, como era bandeira sua brasa ser vista zanzando na praça, era o verdinho, medo de polícia, racismo,  “tá na mente doutor”, e tinha toda essa encanação.

Como seria bom o autocontrole? Autocontrole utopia kids ou versão grindcore com love supreme, uau, mais erro que acerto, contingências e oxigênio, quanta coisa existe né? Tenho o poder de decisão divertido, torto e compulsivo e com um cruzado na negligência humanizadinha, essa merda de reações das pessoas, sotaques, sempre com seus egos em dia, ó, devo fazer isso, assim será melhor. Ah, ele pensa assim, tenho quase certeza. Ah, vá se foder, viver, VIVER antes de escolher hipotéticas inseguranças da vida, socorro, puxa logo o gatilho, titio.


Viver o presente, viver o inferno, viver o comprimido cócegas na hora de escolher vogal. Depende. Tem hora que é melhor viver só de literatura, outra hora de punk rock, mas temos bons escritores pô, vamos voltar lá pros cronistas, até o Hélio Pellegrino faz o vovô sorrir.
montanhas de papel surfite.
montanhas de paper surfite.

esboço agora amassado dentro da minha, eu estou assim mesmo; cuca tomada de amnésia ansiedade e polaridades esquisitóides, o cotidiano é pesadelão meio sessão da tarde.

Des. Desperdício, montanha surfite amassado, olha lá, o desperdício. Madrugada enxergo embaçado, é xanax em campo e a exagerada entrada lexotão no meio da briga, carrinho voraz, é uns mg aí de fortalecimento dementia né, depois vem o desejo de morte do fígado e aí o Dorflex recebe instrução à beira do gramado, alonga-se e entra com duas pastilhas pro jogo, o céu torto apocalíptico, mórbida boca seca cinza.




"Você fez escolhas erradas na vida. "

Um monte de cara que nos anos 80 e 90 era bem de vida, tomava scotch hoje sonha com um moletom de mendigo e uma moeda pra inteira da Vila Velha do Carvalho num triste copo americano.

Você seguiu lendo os caras, leu depois Clarice e curtiu


Riu dos franceses, do existencialismo sartreano em alguns momentos, assim como Kant é meio zanão pra vida do corpo. 


Abro a cabeça e não tem merda nenhuma aqui dentro, talvez um acorde A5 desafinado, se tanto.

muita surdez "ãn", abaixo a cabeça, não comprrendo, a orelha vive distorção e uma sensação toma o céu do meu próximo pensamento besta, que os bancos de praça estão soterrados, o último recanto epifania punkblues banquinho árvores e vida vão virar vagas, são muitos fofos esses novos estacionamentos.

sexta-feira, maio 12, 2017

pode apostar, Lindomar

confuso, vagabundo, folgado.

louco por futebol e rock and roll, aquele flamejante, conhece? incendiário, de libertação.

louco por literatura, dos craques nacionais aos gringos, sem academicismo mas sem bosta seller. 

falta-lhe 1 parafuso, disse Denílson. falta-lhe aplicar o modo gregário para alguns usos da chamada responsa social, mas, na grande maioria das vezes, ele é deselemento antissocial mesmo: com gosto, sem banho sem se importar pra nada, respeito por nada, foda-se, vagabundo e folgado, madrugada longa, trancado e respirando as paredes, todo angustiado.

algumas madrugadas são bem alimentadas nos filmes dublados com o Adam Sandler e o Jim Carrey. E o Eddie Murphy, porra.

Ele bebe gostaria que ficasse registrado: café sem açúcar. Lê Lima Barreto, gosta do estilão dele, do mestre Graça, do lado dedéu do Stanislaw - e ele sonha em gorfar fogo escrevendo, planeja de um jeitão demente e errático seu livro de contos há mais de 12 anos!

12 anos!

qual temática? 
vida adulta? 
desdobramentos insanos nos passos da violência urbana ou violência rural? 

incomunicabilidade bergmaniana nos porões russos da visceralidade ?

narrativa com trilha sonora focando objetos de espírito desanimado?

sorver a memória para grandes partidas num passado não distante de um futebol hoje tontão, robotizado? 

paginar a triste vida cotidiana de um SOLIOTÁRIO? quarto imundo de um adolescente véio sob nuvens de thc, ventilador gigante girando preso na parede enquanto o quarto abafado acompanha o leitor de Lima Barreto, aquele mesmo que joga trocentos ganchos nas injustiças sociais,  em brutal denúncia ante os abusos contra as mulheres em Clara dos Anjos?

E pra ouvir?

Ella, no vinil.

E?

Se ele ouve o que realmente procura, ele muda o ânimo pró pennywise, fica ligadão.

Mais café, mais café. 500 ml, no mínimo. Café, é até morrer.

E pra ouvir?

Hardcore. Blues. Blues. Punk Rock. Rock junkie, rock sujo. E um pouco de Cartola, às vezes. Sexta-feira mofando em casa, esteja acordado cedo pra trabalhar. Trabalho manual.

Mas voltemos à madrugada: mas é assim mesmo, com o violão procurando a canção coração café e lero com os amigos mortos, ele Lou Reed conversa bastante com eles, todos eles Lima Barreto, está escrito na alma - pode apostar, Lindomar.

quinta-feira, abril 27, 2017

VELHAS PALAVRAS


É, são as velhas palavras. Bailão, birutage, microfonia, tupá tupá, backing vocal cuspindo el fuego, pogo, mosh, folia fuzz frita sinapse - e aquele refrão, aquele refrão que leva você pra longe, mas bem longe mesmo.

São as bandas que todos os dias você ouve. Tem que ouvir, porra. Os discos que te deixam assim, Josias. Você fica animadão assim com o café recém passado, com Verbal Abuse na orelha, lendo aquelas linhas do Fante dentro da noite sem fim, lembrando de como os anos estão cada vez com suas bicicletas mais velozes, pedalantes, errantes, mas o sentimento que sobe no pódio do sossego é ela, a alegria. Alegria, taí. São as velhas palavras: rock porrada alegria loucura alegria loucura movimentação constante e o grande foda-se ao ato de gorar a brisa alheia: seja bem vindo o tanto faz, quem se importa? Alegria monstro, chapa chapéuzão. Cachaça dançando derretendo dentro da alma, Josias. Bailão, birutage, brodagem, três irmãos tocando punk rock até morrer.

terça-feira, abril 11, 2017

debilitando Podrão do Santos



ô tonto, você me pergunta que horas?
eu embarquei às 02:10 da manhã.
dizem que leva vinte minutos.
aí eu dou aquele rasante.
o tempo de espera?
Curto:  achei que era mais, mas são só vinte minutinhos.
eu não sei o que vai acontecer, talvez eu morra.
eu não. vai ser uma misturança de efeitos.
como um case psicodelicuzin com o phaser mandraque soltando faísca, aquele curto circuito diferente que nem é nada, só você que olhou errado.
passaram só cinco minutos.
esse trem é sedativo?
seda sobe o preço, vi gente chorando, que merda.
os tripulantes afirmam que os yankees afirmam é hipnótico, o trem.
hipnótico?
sequestro . sequestrada, ansiedade.
Brigando com o teclado aqui. Treta feia: maiúscula, minúscula.
Passa o tempo e vejo na bula: tem hipnose na jogada?
ouvi falar que você sempre riu de hipnose.
Riu do Charcot, ele tava lá tomando uma Canelinha no Big Bar. Lembra?
Charlatão da hipnose, tenho pena desses caras que aparecem no rolê, meio loser geeks, e induzem uma hipnose. Constragedor. A “vítima” segura o riso. Que truque tonto né? Mas porque tô falando isso?
Ah, era hipnótico.
Você viu na bula? Você acredita na bula?
Que bula?
Tamo no trem, maluco.
Meu coração tá parecendo um micro-ondas turbinadão.

Você pesquisa os sites sobre o assunto, os argumentos são bons né? os comentários,
você quer dizer. Você diz que vai misturar, essa viagem (agora são 02:17) vai toda
acumulativa no corpo né? Tomara que não dê mais sensação que você acabou de sair
do Rocky 3, mas se ajeita ae, o trem tá rodando. é só o brain.
é só a cabeça que escolhe os labirintos, os sentimentos são meio bêbados e orgulhosos,
sentimentos tem ego.
uns escolhem o outro trem que é mais leve e tem trechos de euforia.
vamos ver esse.
ainda restam doze minutos.


i wanna be sedated. pausa pra água, pausa pro mijão. nem fui mas já são 02:38. continuo pensando que escrevo, pensando que vivo. vivo pensando nisso, aí alguém me lembra que já tá no pente, é só acender, a madrugada não termina, mamute sedativo, é, proporção maior da viagem, relax, olha aí, mais confuso que o crente que viu a picaretagem pesada no culto, ou vai falar que você esqueceu? 02:39, lembra?

terça-feira, fevereiro 28, 2017

RESENHA: CARNAROCK HELL CLARO ROCK 2017







RESENHA: CARNA ROCK


O JFK mostrou energia, força, CLASSE, o JFK foi pancadaria. Teve aquele momento nostalgia, teve Dezakato, porra, foi demais. Foi foda! Muito louco o Jazz ali curtindo, Hell Claro é rock! E o final com American Jesus, fora os clássicos do Dead Kennedys marretados na contenção, representando ali na máfia do crime pelo Jota/Murilo/Goedi, que moeram tudo, fí.


E, porra, Dig Up Her Bones em homenagem ao Noet também foi sensacional.. O vocal do Édão tem uma puta extensão, e o chefia é simpatia pura on the stage.


Na sequência entrou o Focalada. Suas músicas são curtas e sambarilóvis, cantadas em português, entre um punk rock sincerão e aqueles velhos ecos do rock 80 brazuca elegante, como o final apoteótico com Até Quando Esperar comprovou.


O Focalada é um power trio que tem estrado. Trio guerreiro, e desse bailão cheio de energia deles, Vitão pegada animal nas seis cordas, curti demais as já crássicas deles, mas as que incendiaram tudo foram Jimmi Joe e Tudo Explode!


E virxi, teve até um Johnny Cash, Vitão foi pra batera, Galassi assumiu a guitar, Afonso tava beldão no baixo, e eu tive a honra de mandar um Ring f Fire com os trutas.


Na minha humildade opinião, o Focalada representa o rock garageiro feito com alma - é a nova geração autêntica do rock feito com gana e o coração, os caras são incansáveis e sempre estão compondo, é impressionante.


Depois o Funeral Sex, e a noite tomou um trago de absinto 666%. Veio o trio responsa do mal com suas camadas espaciais doom derrete hipnose que como sempre me levaram para outras galáxias cheias de fumaça e com aquele stoner de primeira. Momento emblemático da da noite. Funeral Sex é genial, original e deixa você entre uma tempestade from hell sonora viciante, esferas dopadas de sonzera porrada e viajante. Ouça o hino Before the devil knows you are dead.


Era a hora e a vez do On Crash, o hardcore de índole kafkaniana em seus versos. Entre climas benzina mezzo youth viagens, a voz da Mars e a cozinha reunindo dois monstros da velha e nova geração, Eder Cruz e o grande Gabriel, vixi, o bicho pegou, Júlião do riff tava assombrando, mandando a guitarra de timbre único, caótica porrada com sangue dissonante doentio e o bailão ali chapado.


O On Crash deixou a turma também em transe, e porra e os sons? Ruminante, Os Outros. São sons vão sendo gravados no inconsciente coletivo, tem hora que você tá viajando forte e depois começa a bater cabeça como aquele vulcão visceral. O On Crash realmente é uma banda que cada vez mais gera mais expectativa para ouvirmos seu álbum de estréia.


Então, veio o Aborn.


Quando o Aborn entrou em cena, o Carna Rock estava completo, a casa cheia, público diversificado e entrosado, antigas e novas gerações, som de primeiro, tudo perfeito.


E abro aqui um parênteses: foi demais a sintonia entre público e bandas, todo mundo amigo e curtindo, galera frequentadora do bar, outras bandas, escritores, galera dazantiga, climão ziriguidum das microfonias! Mas, eu vou te falar: uma sonzera old school, um metal sangue no zóio de lavar a alma, o Aborn todo mundo trincou o pescoço, chapou, incrusive tive até o prazer de mandar um backing em Territory à convite da Tamy, valeu Tamy, sem palavras, valeu meninas pela sonzera e porra, Coward! Que som é esse? Fudido pra caralho. que banda, coesão metronômica, vocal destruidor da Taty, coesão e atitude, postura de palco animal.


Taí, mais um ano e a Thaís foi lá e representou, proporcionando uma noite histórica de sonzera e irmandade, uma aula de organização estrutura e comprometimento, atitude.


Que bailão, vieram várias caravanas vizinhas pra prestigiar, muito especial mesmo! ;)


Viva o Carna Rock do Hell Claro Rock (e sem bairrismos, só alegria e barulho, sempre!




quarta-feira, janeiro 25, 2017

Peste Bubônica

Os navios chegavam  do Oriente, em 1346.

As cidades europeias desconheciam higiene, e aí que ratos vândalos, cheios de killer pulgas, começaram a diversão. Até
1352, milhares  de roedores  vieram trazer imundiça ao já podre velho mundo.

Esgotão funfando à céu anerto e open bar de lixo, era essa a hora: a gangue dos roedores tomou fermento e omou conta da bagaça.

Jean Robespierre teve  sorte logo de cara: picado no pescoço durante um cochilo, teve febrão. alta e em rápidas horas caiu duro. Os miseráveis nem eram, enterrados . Eram mozad8s com o papel toalha da época.

Outros  sintomas bacanas  surgiam sussa no corpo da galerinha: bolhas de pus no suvacão, virilha sabor carniça e sangue no orvido como cartão  de visita.

E porra, quem tomo providência?

A Igreja Católica . Proibiu qualquer tentativa de cura. Era pecado.

Vômitos. Epipdemias. Quem descolava remédio virava churrasco, era o bruxo penetra na festa.

O nojo rolou geral, as famílias com o cu na mão renegavam familiares, servos eram  tratados como bosta na França e na Inglaterra, até que os camponeses deeam um basta na tiraçãom na tirania. Assassinando os merdas dos senhores feudais, driblaram a má fase e acendedam aquele merecido baseadão.

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Dança da folia

O Sujinhos nasceu em 1978, bar-espaço-sagrado-palco-babilônia-esquina Amsterdã, ponto de encontro pra eliminar neurose e levantar amizade. Rio Claro precisa do Sujos. A Unesp anda casada com ele, vizinha-frequentadora, de cachaça carteirinha, viva a Bela Vista, viva o Sujos, brou, broua, tô beleza.

Os anos andam, os anos aspiram a poeira dos dias, e muitas noites, por anos e anos, são municiadas pelo  Sujos. Buxixo? Som ao vivo? Lero-brodagem-lentos minutos, painel vivo urbana thc paisagem calçada farejando amizade. Sujos. Sujinhos, taí, é o interior surfando na brisa do Horto, florestal friends, bicicleta bagana mata rato ratatá fitinha, farinha farofa seda casco fumacê  litrão com cara conhaque copo plástico americano cana cerva, Sujinhos que reúne as almas: astronautas  narcóticos ou não, ele é o clube na rua, esquinas da nossa doidera sobrevivência, coletiva dança da folia, amém. Amém.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

No ônibus da quarta-feira, A.R. observa o cãozinho na sala. Deitado de prancha,as patinhas dianteiras servindo de suporte para o descanso dele, o focinho da fox paulistinha é puro planeta sossego. 

Na ESPN BRASIL, futebol no mundo e a Premier League. Os ingleses tem o melhor campeonato do mundo. O jogo é intenso, inteligente. É cocaína da boa pra quem gosta de rede balançando, comemorações efusivas, chutaços da entrada da área, arrancadas furiosas. Na Espanha o jogo também é interessante, mas talvez o estilo cadenciado não deixe tão vidrado o torcedor e sua cocaína. Aqui no Brasil, as condições climáticas entre chuva e calorzão dão o visu dos dias. O calor é daquele que deixa os braços em patê de suor, os braços num grude, os braços num creme, trinta e tantos graus mas na real são sessente e seis, quase duzentos. Uma lua detestável para os humanos que só reconhecem na água gelada seu justo pedágio.


A.R. ignora o calor até - está com o pulso esquerdo fodido de tanta porrada que desferiu pra aplacar a tensão. Que merda, diz silencioso, tratando o desconforto com aparente severidade.

terça-feira, janeiro 03, 2017

33 47 alongamento 13:50

No momento, ele não está; falou que já volta. Ele está, na verdade. Está alheio. A.R. encara a parede branca e suja do quarto imundo, encara a parede em porções temporais que incluem no pacote duas horas ou talvez quatro segundos, preciso alongar as pernas, tô travadão. Travado e envelhecendo na merda, claro. A.R. não é o tipo de pessoa que acelera a bicicleta do OTIMISMO. Otimismo não rola, e a perna direita tem mais flexibilidade, é fato. Agora está pronto para o exercício: com a lombar apoiada na parede, procura uma posição fixa, ereta. As pernas, bem abertas, tentam proporcionar o famoso horário dez pras duas.


A.R. vez ou outra usa as duas mãos para escrever no computador. Com a direita agiliza o mouse, e com a esquerda viaja com o cursor, em busca de parágrafos tranquilos e relaxantes. Depois que Luciana o expulsou de casa, precisa relaxar a todo custo. Provavelmente de tanto andar relaxado, pelo viver umbiguista é que tomou o pontapé no traseiro.  Mas o cuidado agora é com o alongamento das pernas. Enquanto repuxa e repuxa uma tentativa de distensão, morre de medo com a variação da química cerebral das últimas horas. Evoca algum pensamento que drible a dor. Vixi, arquivo morto. Puxa, repuxa, perna direita, conto com você: amanhã vou acordar com uma dor dos diabos. Acordar com as pernas travadas, que processo lazarento, sanguíneo-doloroso, engolindo catarro e desengolindo - vai cuspir,  cuspindo na palma da mão.

OUVINDO HARDCORE E LENDO ESCRITORES BRASILEIROS E DO TIO SAM

As pessoas estão sem coragem.  As pessoas brincam verbalmente nas redes sociais perpetuando o lado cômodo da vida.  Já é uma bela bos...