quarta-feira, agosto 02, 2017

voadores



Por favor, gentileza: mais uma dose dessa languidez. Mais uma dose lânguida e precisa, em camadas de vento tão leves, breves. Esparramado aqui dentro da mente, esparramado e mais uma dose dessa languidez que vizinha da volúpia ataca, passado presente futuro, céu vermelho, céu de sangue, mas não há resquícios de salvação, redenção e essa sintaxe toda.

Os lânguidos estão trêmulos, uma coisa inútil, tão verdadeira e dilacerada. Crescem, tomando entre as esquinas dos esquecidos seus porres melancólicos. Então, o quarto escuro, o corpo deitado.  A mente exige o holofote em off,  o botão mute, mas não haveria porra nenhuma.  Como cegos e inconsequentes gestos malcriados, languidez e perturbação começaram a disputar o bingo da desgraça, instantes desnecessários erguiam-se trágicos. Pensar era difícil.  Dentro de alguma cozinha alguém provocaria uma desastrosa cena de ovo e pele queimada na altura da barriga, mas o fogão é apenas alguém que vai ficar parado quando você morrer.  Estouros entre neurônios, pouco antes da despedida.


O calor é forte agora, rebato o frio sem explicação, não existe apartamento da frase pronta nesse bairro simpático, esculpido cegamente em lama e escondido lirismo, que logo você vai atender a campainha e não há ninguém. Mas o vento uivando nas cortinas que nunca vão aparecer, a mente como metralhadora agora focando o fogo, olhando o confuso horizonte pelas ruas de Riverside. Como um pogo, como uma roda punk devastadora em Americana, o ano era 2000 e barra forte, poça monstra de sangue no chão de um concerto espetacular dos ingleses voadores do GBH.

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