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Você pode pisar na merda fresca, que tá tudo certo - você vai chegar em casa vivo, e vai pra década de 70, ouvir Stones, discão Exile on Main Street pegando fogo nas paredes.

Você pode torcer o tornozelo pela décima vez, que ainda assim dirá foda-se, e poderá sob o thc-olê-olê-olá curtir Cramps, cantando junto.

Você pode ser assaltado por uma arma de brinquedo (contendo groselha) e experimentar o Taquicardia’s Park, que continuará respirando Ramones momentos depois – e, já refeito do choque do refresco, ouvindo Road to Ruin, vai rir de tudo bebendo água gelada invisível.

Você pode ter um amigo que odeia o carnaval, que continuará tranquilo quanto à essa afirmação, deixando ele reclamar à vonts, até o fera suar trégua.

Você pode vir com uma puta piada sem graça que continuará sorrindo feito besta, sonhando ter sido truta do Seu Madruga.

Você pode recorrer à possível desculpa da recorrente bipolaridade presente em seu cotidiano, que continuará tagarelão punk rocker enquanto a euforia dispara seu amplificador valvuladão também conhecido como voz.

Você pode reclamar que não é fã de azeitona, que
continuará irrelevante e sem propósito pincelando este comentário aparentemente inútil, portanto, foda-se a azeitona, campeão.

Você pode apagar uma frase secreta escrita a lápis num daqueles seus caderninhos preto, que continuará redigindo e apagando outros tantos garranchos rabiscados – rasgando no verbo a silenciosa madruga de Hell Claro.

Você pode achar que a pracinha do DAAE no período noturno é uma grande praia da amizade, que continuará correto em seu pensamento, pode apostar.


Você pode perder todo o ânimo, falir a reserva de otimismo momentaneamente, e com todo o empenho, assumir uma suposta velhice, mas isso é balela, não tem como recusar a bagunça fí, o rock paulera dançante, o barulho, o som, a vida.


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